Algodão Estampado

 Algodão estampado

 

                No livro “Objetos de Desejos: Design e Sociedade desde 1750”, é dito que ao final do século XVII é desenvolvida a técnica de estampar o algodão utilizando-se dos blocos de madeira gravados com a imagem que se queria transpassar para a peça de algodão. Na sequência, é falado que na metade do século seguinte (1750, século XVIII), foi desenvolvida uma nova técnica que substituía a anterior que usava madeira, com a utilização de placas de cobre, pois tinha a capacidade de comportar mais detalhes na gravação da imagem na chapa (calcogravura), como também por seu tamanho ser superior aos blocos de madeira.

                Em ambos os métodos citados, as impressões eram feitas à mão, de modo que em uma mesa cumprida, esticava-se o tecido e o profissional que aplicava a estampa pressionava a chapa ou o bloco sobre ele, aplicando uma quantidade correta de tinta em cada impressão que fosse feita, bem como a devida pressão. Esse processo costumava ser lento, de modo que seis peças por dia era o máximo que se conseguia.

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                “Em 1796, surgiu outro desenvolvimento do trabalho técnico: as placas gravadas foram transformadas em cilindros e se tornou possível imprimir todo o comprimento da peça de algodão continuamente, em um único processo mecânico. ”(Forty, 2006, pg. 66). Essa mudança seguiu até a atualidade como é visto na calcografia, onde a impressão é feita em uma esteira e um rolo exerce o trabalho de prensa na chapa de metal.

                A introdução desse maquinário possibilitou a rápida expansão da indústria têxtil, uma vez que, ao invés de seis peças diárias, agora era possível passar de quintas peças por dia. Como é visto em “entre 1796 e 1840, em consequência da introdução dessas maquinas, a produção anual de tecidos estampados no Reino Unido aumentou de 1 milhão para 16 milhões de peças” (Forty, 2006, pg. 66). Em 1840, existia cerca de 435 maquinas de estampar, enquanto mesas de estampagens clássicas o número passava de 8000, já dez anos depois o número de mesas já havia caído pela metade, enquanto isso, o número de maquinas só crescia, assim como o número de estampas impressas, isso demonstra o nível de eficiência das maquinas com a utilização do cilindro de impressão. Como consequência, a estampagem manual com blocos e placas perdeu espaço, porem continua sobrevivendo e é utilizada quando para trabalhos especializados e detalhados.

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                Assim como na época da impressão manual das estampas, com o novo período automatizado, continuou sendo um ótimo período para se viver quando se era um design. Muito embora os artesãos tenham sido prejudicados com o declínio da estampagem manual, o grande aumento na produção de tecido de algodão estampado, gerou também uma maior demanda por novos designs para as estampas, dessa forma, continuou a florescer a ocupação de desenhista de estampas. Os projetos de estampas eram vendidos como forma de freelance ou prestação de serviço, mas também existiam aqueles que produziam em um emprego fixo.

                Em 1851, já começavam os debates, bem como também os questionamentos em volta da qualidade artística das estampagens realizadas pela máquina rotativa, como apontamentos de que talvez as impressões manuais das primeiras décadas do século eram superiores as impressões feiras pelo maquinário mais moderno e produtivo. No “Relatório oficial sobre design” na grande exposição de 1851, Richard Redgrave apresentou não somente um, como dois motivos que o faziam considerar as maquinas uma deterioração da qualidade de estampagem em tecido.

                A primeira razão citada era: “ Sempre que o ornamento é feito totalmente pela máquina, é certamente o mais degradado em estilo e execução; e o melhor trabalho e o melhor gosto encontram-se naquelas manufaturas e tecidos em que o trabalho é manual é inteira ou parcialmente o meio de produzir o ornamento”( REDGRAVE, Richard; 1851).

                Já na segunda razão do mesmo, ele diz que: “ O uso restrito de meios foi com frequência referido [...] nos velhos e simples métodos de estampagem do algodão, quando os recursos eram poucos e os meios limitados, estilo era, sob certos aspectos, melhor do que o atual [...] assim, à estampagem manual com blocos exigia formas e tintas uniformes repartidas regularmente sobre a superfície, e alguma flor ou folha simples usada para isso tinha um efeito agradável e justo [...] Porem, no lugar dos antigos meios limitados, a estampagem com cilindros de metal pós ao alcance do designer todos aqueles poderes de mais perfeita imitação gozados pelo gravador e, em vez de usá-los como deveriam ser, coerentemente com as exigências da manufatura e os princípios da arte ornamental, eles foram desperdiçados na imitação de flores, folhagens e arbustos, bem fora do caráter ornamental e em oposição a princípios justos”. (REDGRAVE, Richard; 1851).

                Em ambas as declarações, o Richard estava extremamente equivocado, uma vez que o único benefício que o método mais moderno tinha, era a capacidade de produzir em grandes quantidades utilizando um mínimo período de tempo. Em relação a qualidade e detalhamento, ambos os métodos manuais, blocos de madeira e placas de cobre possuem grande vantagem quando se trata de contrastar as intensidades de cores, principalmente a placa metálica, ela é excelente.


Referência:

FORTY, Adrian. Objetos de Desejo: Design e Sociedade desde 1750. SP: Cosac Naify, 2006
Texto desenvolvido por Francisco Iago dos Santos feitosa para a disciplina Introdução ao Estudo do
Design - Universidade Federal do Rio Grande do Norte - Departamento de Design - Fevereiro de 2022.
O texto colabora com o projeto de extensão “Blog Estudos sobre Design”, coordenado pelo Prof.
Rodrigo Boufleur

 

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